Demissão arbitrária

Por Bernardino Furtado

Este blog faz parênteses na sua trajetória habitual para registrar a violenta demissão por ‘justa causa’  (onde está a Justiça?) do colega fotógrafo Emmanuel Pinheiro do jornal Estado de Minas, onde fez carreira brilhante de mais de seis anos.

O motivo alegado constitui, na verdade, um atentado contra a liberdade de expressão. Emmanuel mantém o blog http://www.pinheironafoto.blogspot.com onde registra comentários sobre fotografia, inclusive fotojornalismo, e sobre as condições de trabalho dos fotógrafos.

Um post crítico sobre a escolha da foto de capa do jornal Estado de Minas para registrar a  recente visita do presidente Lula e da candidata-ministra Dilma Roussef a Juiz de Fora provocou a ira de dois superiores de Emmanuel que levaram o caso à direção de redação e desta à ‘justa causa’.

Quem tiver a oportunidade de acessar o blog do Emmanuel poderá conferir a elegância com que fez a crítica, evitando, inclusive, citar nomes dos referidos colegas envolvidos no episódio da escolha da foto. Ter direito de discordar e expressar publicamente essa discordância é uma conquista do povo brasileiro depois de duas décadas de ditadura militar. Agora, se o chefe e o patrão não gostam, que demitam, mas nunca por ‘justa causa’. Ninguém pode falar de Justiça se não respeita a Constituição Brasileira.

2,5 mil estudantes da rede pública vão visitar a exposição de BH

Numa parceria entre o programa “Escola Viva, Comunidade Ativa” da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, o Museu de Artes e Ofícios (MAO) e o projeto “Cumplicidade”,  cerca de 2,5 mil alunos de escolas públicas da Região Metropolitana de Belo Horizonte vão visitar a exposição “Cumplicidade – 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos”.

As visitas ocorrerão de 9 a 12 de fevereiro e de 23 a 26 fevereiro. Os estudantes serão divididos em grupos de três escolas na parte da manhã e de outras três à tarde, com a monitoria do organizador do projeto “Cumplicidade”, jornalista Bernardino Furtado.

Criado em 2003, o “Escola Viva, Comunidade Ativa” é uma abordagem específica para o fortalecimento de escolas situadas em áreas com população em situação de vulnerabilidade social e sujeitas a índices expressivos de violência. Canaliza investimentos na infra-estrutura física, na aquisição de recursos didáticos e na informatização. As escolas executam ações de caráter pedagógico, cultural, esportivo e artístico. Atualmente, participam do programa 503 escolas, atendendo a 480 mil alunos dos 102 municípios mais populosos de Minas Gerais.

O Museu de Artes e Ofícios (MAO) tem uma política consolidada de recepção gratuita de alunos e professores de escolas públicas para visitas ao acervo permanente da instituição, a “Memória dos Ofícios”.

Para o projeto “Cumplicidade”, essa parceria é um reconhecimento do potencial didático do conteúdo da exposição, do livro e do blog (www.cumplicidade.org). Trata-se de uma grande conquista poder mostrar um recorte do interior do Brasil realizado por 20 grandes fotógrafos a estudantes adolescentes de bairros populares de Belo Horizonte, rompendo os limites de projeto de memória profissional.

As escolas do “Escola Viva, Comunidade Ativa” em Belo Horizonte, receberão mais de 200 exemplares do livro “Cumplicidade – 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos” e também 40 painéis fotográficos de 1 metro por 70 centímetros que compõem a exposição.

Veja abaixo a lista das escolas que participarão das visitas

Continue lendo »

Está aberta a exposição de BH

Fotos: Júnia Garrido/28.01.2010

Em noite para mais de 200 convidados, foi aberta no último dia 28, no Museu de Artes e Ofícios (MAO) a exposição “Cumplicidade – 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos”. Mais de 300 exemplares do livro “Cumplicidade” foram distribuídos na abertura, que teve show da banda “The Hell’s Kitchen Project”.

A exposição prossegue até 28 de fevereiro. Veja os horários no convite virtual ABAIXO. Para ver mais fotos de Júnia Garrido sobre a exposição, explore a barra da direita e veja o álbum da fotógrafa neste blog.

Arte de Fernanda Monte-Mór sobre foto de Filipe Souza – “Cadernetas de Trabalho”/2009

 

Continue lendo »

Cumplicidade convida The Hell’s Kitchen Project para lançamento do livro e abertura de exposição do projeto em Belo Horizonte.

A The Hell’s Kitchen Project (THKP), formada em 2006 por Jon Bazko, Fernando Craviée e Leo Braca, consolidou forte representação na cena de música independente de Belo Horizonte com apresentações nos principais festivais e casas de show da cidade e região. Com talento, criatividade e ousadia, a banda dispensou a guitarra para fazer um som experimental e dançante, provando ao público que é possível fazer rock de qualidade com voz, bateria e baixo.

Continue lendo »

A exposição em Belo Horizonte

Por Bernardino Furtado
Fotos Daniela Giovana

Em “A era das revoluções”, o historiador Eric Hobsbawn observa que a ferrovia está presente nas obras dos principais escritores e artistas europeus do Século XIX. Não resistiram à força imagética daquela gigantesca lagarta fumegante que engolia distâncias. Já seria motivo suficiente para dizer que é uma honra para o projeto “Cumplicidade – 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos” estar na atmosfera de duas estações de trem do início do Século XX de um país onde também a ferrovia chegou mais tarde. A satisfação aumenta porque nesse ambiente funciona o Museu de Artes e Ofícios (MAO), uma instituição dedicada à memória do trabalho no Brasil do Século XVIII ao início do Século XX. Nada melhor para uma exposição e um livro que tratam da memória profissional de jornalistas em viagem.

As 50 fotografias da exposição “Cumplicidade” vão ocupar as salas do andar superior do prédio da antiga Central Brasil, construído em 1922. A entrada é pela Praça Rui Barbosa, mais conhecida em Belo Horizonte como Praça da Estação.

A parte principal da exposição traz 42 ampliações em papel fotográfico no formato de 100cmX70cm. É uma seleção feita pelo curador Sérgio Rodrigo Reis a partir de um conjunto de aproximadamente 100 fotografias realizadas em reportagens assinadas pelo repórter Bernardino Furtado no período de 1994 a 2008.

Os 20 autores são Adriana Zehbrauskas, Breno Fortes, Cristina Horta, Dado Junqueira, Emmanuel Pinheiro, Euler Júnior, Evelson de Freitas, Fabiano Accorsi, Glaucio Dettmar, José Luis da Conceição, La Costa, Luiz Carlos Murauskas, Luludi, Marcelo Sant’Anna, Marcos Michelin, Paulo de Araújo, Paulo Vitale, Sergio Andrade, Sergio Dutti e Sergio Tomisaki.

A segunda parte da exposição é uma espécie de álbum de recordações dos cúmplices do projeto.  São oito ampliações nas dimensões 50cmX35cm  de fotos do repórter e de fotógrafos parceiros feitas durantes viagens de trabalho.

29 de janeiro a 28 de fevereiro -  terça, quinta e sexta-feira  de 12h às 19h – quarta-feira de 12h às 21h – sábado, domingo e feriado de 11h às 17h.


A história das estações

Fotos: Daniela Giovana

Passados 90 anos, a Estação de Belo Horizonte da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) depois Rede Mineira de Viação (RMV), há muito não recebe passageiros para viagens de longo curso. Inaugurado em 1920, o prédio abriga desde 2006 a maior parte do acervo do Museu de Artes e Ofícios (MAO). Antes disso, porém, centralizou o então ambicioso projeto de ligar Angra dos Reis, no litoral fluminense, a Goiandira, no Sul de Goiás, cortando Minas de Sudeste para Oeste.

Ainda em plena atividade, a RMV ficou conhecida pela precariedade de seus meios. A ponto de ter sua sigla rebatizada pela população como “Ruim, mas vai”. Com o fim das viagens ferroviárias de passageiros de grandes distâncias, a linha serviu até o começo da década de 1980 aos estropiados trens de subúrbio que ligavam Belo Horizonte a Betim e a Raposos. Atualmente, em conjunto com a antiga Estação Belo Horizonte da Central do Brasil, fornece as plataformas para Estação Central do Metrô.

Continue lendo »

O Museu

O Museu de Artes e Ofícios é uma iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez – ICFG e foi desenvolvido a partir da doação ao patrimônio público de uma coleção de mais de 2.400 peças, dos séculos XVIII ao XX, pela empreendedora cultural Angela Gutierrez.  A coleção mostra a riqueza da produção popular na era pré-industrial: os fazeres, artes e ofícios que deram origem às profissões contemporâneas.

Continue lendo »

Projeto “Suando a camisa”

Um olhar para as academias populares e sua gente lutadora

Use a barra da direita do blog para ver mais imagens

Por Emmanuel Pinheiro (texto e fotos)

Milenar, a ginástica fazia parte da vida do homem pré-histórico enquanto atividade física, pois detinha um papel importante na sua sobrevivência, expressada, principalmente, na necessidade vital de atacar e defender-se. O exercício físico utilitário e sistematizado de forma rudimentar era transmitido através das gerações e fazia parte dos jogos, rituais e festividades.

Continue lendo »

O sentido da liberdade

Condenados do regime fechado do presídio da Apac de Itaúna jogam bola no pátio

Condenados do regime fechado do presídio da Apac de Itaúna jogam bola no pátio

O repórter Bernardino Furtado almoça no refeitório do regime fechado do presídio da Apac de Itaúna-MG

Condenados do regime fechado do presído da Apac de Itaúna-MG abençoam companheiro promovido ao regime semiaberto

O repórter Bernardino Furtado almoça no ala do regime fechado do presídio da Apac de Itaúna-MG

O repórter almoça no ala do regime fechado do presídio da Apac de Itaúna-MG

Veja mais fotos da reportagem no presídio da Apac de Itaúna-MG clicando na barra da direita em ‘ver todas’. Em seguida, abra o álbum ‘Bernardino’.

Por Bernardino Furtado

Valdeci Ferreira, o diretor do presídio da Associação de Proteção e Apoio aos Condenados (Apac) de Itaúna, é uma pessoa suave. Mas não é o modo afável o aspecto mais marcante da personalidade desse calejado militante católico da Pastoral Carcerária. Impressionam a firmeza nas convicções e a fala franca. Foi o que senti quando julgou a minha proposta de passar três dias, na condição de repórter, na ala do regime fechado da Apac-Itaúna. “Você não só vai fazer uma grande reportagem, mas, principalmente, vai melhorar como ser humano.” Ateu de quatro costados, tive de concordar com Valdeci quando passei pelo último portão do presídio e ganhei a rua, depois de 72 horas de convivência com mais de 50 condenados por crimes pesados como homicídios, assaltos a mão armada, estupros e tráfico de drogas.

Continue lendo »

Superação e projeto social

Aniversário com mais cumplicidade

No dia em que este blog completa um mês de vida, tenho o prazer de divulgar um projeto do repórter fotográfico Evelson de Freitas. O colega trabalha numa série de reportagens sobre brasileiros que superam algum tipo de deficiência física para praticar esportes. São modalidades que, infelizmente, ainda não estão incluídas no cardápio das Paraolimpíadas.Espero que a presença de Evelson inaugure uma série de participações de repórteres fotográficos no blog. A nossa próxima colaboração virá do repórter fotográfico Emmanuel Pinheiro, também convidado do projeto “Cumplicidade – 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos”. Boa leitura!

O editor.

Por Evelson de Freitas

Sou repórter fotográfico do jornal “O Estado de S. Paulo” e desenvolvo um projeto pessoal com apoio do jornal. O tema é esporte e deficiência. Trato de personagens com alguma deficiência física que praticam esportes e têm uma boa história de vida e de superação. Os esportes que busco não podem ser paraolímpicos. Acredito que as modalidades oficiais para deficientes (paraolímpicas) são pouquíssimas em comparação com as olímpicas. Quero contar isso no final do meu trabalho e fazer essa crítica.

Continue lendo »