A exposição em Belo Horizonte

Por Bernardino Furtado
Fotos Daniela Giovana

Em “A era das revoluções”, o historiador Eric Hobsbawn observa que a ferrovia está presente nas obras dos principais escritores e artistas europeus do Século XIX. Não resistiram à força imagética daquela gigantesca lagarta fumegante que engolia distâncias. Já seria motivo suficiente para dizer que é uma honra para o projeto “Cumplicidade – 20 anos de reportagem, 20 fotógrafos” estar na atmosfera de duas estações de trem do início do Século XX de um país onde também a ferrovia chegou mais tarde. A satisfação aumenta porque nesse ambiente funciona o Museu de Artes e Ofícios (MAO), uma instituição dedicada à memória do trabalho no Brasil do Século XVIII ao início do Século XX. Nada melhor para uma exposição e um livro que tratam da memória profissional de jornalistas em viagem.

As 50 fotografias da exposição “Cumplicidade” vão ocupar as salas do andar superior do prédio da antiga Central Brasil, construído em 1922. A entrada é pela Praça Rui Barbosa, mais conhecida em Belo Horizonte como Praça da Estação.

A parte principal da exposição traz 42 ampliações em papel fotográfico no formato de 100cmX70cm. É uma seleção feita pelo curador Sérgio Rodrigo Reis a partir de um conjunto de aproximadamente 100 fotografias realizadas em reportagens assinadas pelo repórter Bernardino Furtado no período de 1994 a 2008.

Os 20 autores são Adriana Zehbrauskas, Breno Fortes, Cristina Horta, Dado Junqueira, Emmanuel Pinheiro, Euler Júnior, Evelson de Freitas, Fabiano Accorsi, Glaucio Dettmar, José Luis da Conceição, La Costa, Luiz Carlos Murauskas, Luludi, Marcelo Sant’Anna, Marcos Michelin, Paulo de Araújo, Paulo Vitale, Sergio Andrade, Sergio Dutti e Sergio Tomisaki.

A segunda parte da exposição é uma espécie de álbum de recordações dos cúmplices do projeto.  São oito ampliações nas dimensões 50cmX35cm  de fotos do repórter e de fotógrafos parceiros feitas durantes viagens de trabalho.

29 de janeiro a 28 de fevereiro -  terça, quinta e sexta-feira  de 12h às 19h – quarta-feira de 12h às 21h – sábado, domingo e feriado de 11h às 17h.


A história das estações

Fotos: Daniela Giovana

Passados 90 anos, a Estação de Belo Horizonte da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) depois Rede Mineira de Viação (RMV), há muito não recebe passageiros para viagens de longo curso. Inaugurado em 1920, o prédio abriga desde 2006 a maior parte do acervo do Museu de Artes e Ofícios (MAO). Antes disso, porém, centralizou o então ambicioso projeto de ligar Angra dos Reis, no litoral fluminense, a Goiandira, no Sul de Goiás, cortando Minas de Sudeste para Oeste.

Ainda em plena atividade, a RMV ficou conhecida pela precariedade de seus meios. A ponto de ter sua sigla rebatizada pela população como “Ruim, mas vai”. Com o fim das viagens ferroviárias de passageiros de grandes distâncias, a linha serviu até o começo da década de 1980 aos estropiados trens de subúrbio que ligavam Belo Horizonte a Betim e a Raposos. Atualmente, em conjunto com a antiga Estação Belo Horizonte da Central do Brasil, fornece as plataformas para Estação Central do Metrô.

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O Museu

O Museu de Artes e Ofícios é uma iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez – ICFG e foi desenvolvido a partir da doação ao patrimônio público de uma coleção de mais de 2.400 peças, dos séculos XVIII ao XX, pela empreendedora cultural Angela Gutierrez.  A coleção mostra a riqueza da produção popular na era pré-industrial: os fazeres, artes e ofícios que deram origem às profissões contemporâneas.

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