Alguém nos livre dessa jequice!
03 de março / 2010
Por Bernardino Furtado
Esse blog não costuma falar de política. E ainda não vai falar desta vez. Se assanha para esculhambar a quintessência do bairrismo jeca expresso no editorial de primeira página de hoje do jornal “Estado de Minas” intitulado: “Minas a reboque não!”. Isso não é política, é politiquinha de província!
Sob o pretexto de repelir a suposta pressão de parte do PSDB para que o governador de Minas, Aécio Neves, aceite a vaga de vice na chapa presidencial do partido, o jornal tenta ressuscitar uma forma de fazer política felizmente sepultada com o fim da República Velha (década de 1930).
Na ânsia de ser porta-voz, o auto-intitulado “grande jornal dos mineiros” chega a diminuir a estatura de Aécio, um ator político nacional importante há um bom tempo, ao chamá-lo de ‘líder de Minas’, ‘político da alta linhagem de Minas’, e outras bobagens.
Qualquer candidato à Presidência da República é candidato dos brasileiros. Se não for, não vale a pena. Somos todos cada vez mais nacionais, latino-americanos, cidadãos do mundo, a despeito das desigualdades profundas entre as nações e entre regiões de um mesmo país. Mas o que precisamos é lutar para reduzi-las e não cultivar velhas e podres práticas das capitanias hereditárias, da escravocrata aristocracia rural.
O sistema federativo brasileiro só tem sentido no plano objetivo. Funciona para organizar a partilha de receitas tributárias e também de obrigações de investimentos públicos, para administrar mais de perto questões locais condicionadas pelas características do território, da cultura, da maior ou menor disponibilidade de riqueza, etc. Se temos um governo central, ele fala aos brasileiros e deve servir os brasileiros.
O que é mais ridículo no editorial do “Estado de Minas” é se arvorar de porta-voz também de nós, nascidos ou simplesmente moradores desta terra boa. O jornal diz “Minas vai dizer não”, “Os mineiros não aceitam isso não aceitam aquilo”. Vade retro, sou mineiro, uai, mas sobretudo sou brasileiro, sou do mundo, sou da Internet.
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